Troll Urbano

16 Set, 2006

Palavras de papa

Arquivar em: Isabel Faria, Mundo — trollurbano @ 12:17 pm

Segundo o Papa, um imperador bizantino do século XIV terá firmado que Maomé trouxe ao mundo coisas “más e desumanas, como o direito a defender pela espada a fé que ele persegue”.
Bento XVI, que se deve ter esquecido que era Papa, o representente máximo duma religião, seu embaixador, a sua voz, pronunciou-se, usando palavras de alguém, sobre uma outra religião. Em Setembro de 2006.
A estrema direita europeia e americana agradecem, reconhecidas. Os fundamentalistas islãmicos, também.

Se…

Arquivar em: Isabel Faria, Politica — trollurbano @ 11:59 am

Tudo parece indicar que o Referendo para a despenalização da IVG terá lugar em Janeiro.
Ontem foram entregues mais de 40000 assinaturas, requerendo a alteração da Lei, sem recorrer ao Referendo. Todos sabem a minha posição sobre isso. Assinei a Petição, claro. Seria o cenário ideal…se…
…se não tivesse havido um anterior Referendo…
…se a Direita nunca mais voltasse a ter maioria absoluta na Assembleia da República…
…se a Direita portuguesa, que um dia poderá voitar a ter maioria absoluta no Parlamento, não fosse um Direita revanchista, vingativa, conservadora e inculta…
…se o PS, apesar destes aspectos, tivesse vontade politica de avançar…
…se…
…se…
Há forças politicas que têm enorme dificuldade em saber que o parvo do Se, tem uma força do caraças na vida das pessoas e das sociedades…

15 Set, 2006

Vou tentar

Arquivar em: Isabel Faria, Solturas Mentais — trollurbano @ 11:51 am

Tenho um amigo, um grande amigo, que um dia perdeu as duas pernas, num acidente de carro. Desde aí vive (e viver é viver, mesmo) com a ajuda de uma cadeira de rodas.

Lembro-me dos primeiros tempos e das primeiras angústias. Da sensação de vazio que transmitia.Das lágrimas. De o ouvir dizer que não valia a pena continuar. Que não vale a pena viver se não se pode correr, jogar á bola ou, simplesmente, descansar os pés depois de uma jornada longa e dura.

O tempo passou. O meu amigo faz hoje tudo o que faria se um acidente de carro, ali, na ida para a Figueira não lhe tivesse levado as pernas. Encontrou um amor, casou, tem um filho lindo…só não joga à bola nem corre. Nem descansa os pés.

Quando falamos nisso, diz que é feliz. Que se habituou a viver sem aquela parte de si. Se habituou e é feliz. Mas que lhe sente a falta. Todos os dias lhe sente a falta. Tantos anos depois, diz que tem umas saudades enormes do que perdeu. O que me valeu na altura, diz, foi encontrar, cada dia, uma nova coisa que era possível fazer sem elas. Mas, dias houve, noites, sobretudo, em que pensei que sem partes de nós, não vale a pena viver, acrescenta.

Esta manhã, acordei a pensar no meu amigo. A tentar encontrar nas palavras dele a força para continuar. Diferente não significa necessariamente pior, ou nada. Mas, é preciso aprender a fazer, cada dia uma coisa nova, sem aquilo que se perdeu…

Neste momento o Troll é um desafio. O meu amigo é um mestre a jogar xadrez. Esta manhã ao chegar aqui, tive uma vontade enorme de desistir. Ou, pelo menos, dizer que precisava de um tempo. O meu amigo diz que só conseguiu sobreviver porque se agarrou ás memórias das corridas que fez e dos jogos de futebol que jogou…não quero desistir. Mesmo sem uma parte, não quero desistir.

Se conseguir aguentar o Troll, se conseguir voltar a correr, sei que “as pernas” não contam (contavam) assim tanto. Se não conseguir…logo se verá.

Há outros motivos para tentar continuar aqui. O Troll tem aqui muito de mim. Corridas e jogos de bola. As melhores dos últimos tempos. Neste momento, em que a memória teima em ser selectiva, apesar do que issso dói, as melhores, tout court. E o meu amigo diz que a memória é importante…para nos habituarmos a viver com o que perdemos (ou será que ele diz sem o que perdemos?).

Finalmente o Trol é, para mim, e neste momento com as falta de assiduidade dos nossos colegas, uma corrida minha e do Daniel Arruda. Mesmo com a falta que as pernas me fazem, não gostaria de deixar o Daniel a correr sozinho. Nunca faço isso aos meus amigos. Possivelmente vou um bocado coxa e ele vai ter que puxar por mim…mas espero que ele tenha paciência e o faça… 

Vou tentar continuar. Voltar ao normal. Mas seguramente vou ter saudades. Daquelas alturas em que as pernas me levavam sempre ao Mar. 

De volta

Arquivar em: Isabel Faria, Uncategorized — trollurbano @ 11:49 am

Este post e os seguintes estã publicados simultãneamente aqui e na Weblog. Just in case…

Depois de oito dias sem vir ao Troll, não lhe sei pegar.

Tenho algumas coisas que aqui gostaria de partilhar destes dias na Marcha. Vou tentar fazê-lo aos poucos.

Também deveria / poderia escrever sobre o que se passa por aí mas para isso deveria ler notícias. Também o tentarei fazer aos poucos. O Daniel andará ocupado na Marcha do Distrito de Setúbal e eu também só terei hoje um dia de mais “folga”. Creio, portanto, que o retomar normal só lá mais para Segunda-Feira. Pelo que vejo, ao aqui chegar, os problemas da Weblog continuaram e definitivamente vamos ter que sair daqui.  Digamos que vou tentar que o retomar a sério na Segunda-feira, seja já o retomar num lugar em que colocar um posts ou deixar um comentário não seja uma tarefa árdua, cansativa e desesperante. A ver vamos…

 

07 Set, 2006

De volta? (eco!!!)

Arquivar em: Isabel Faria — trollurbano @ 12:19 pm

Este post é um eco dum colocado na casa da cidade:

Em contacto do Departamento Téscnico do AEIOU, foi-me ontem assegurado que os problemas principais do Troll deverão estar ultrapassados.
Tal como lá fora, há uma quantidade de coisas que nunca levamos para a casa de férias mas que, aos poucos, descobrimos que nos fazem falta…ou é o micro-ondas, ou a mão de lavar as costas…
Para além disso, nunca conseguimos arranjar um sofá onde encaixemos tão bem e dê para dormir uma soneca igual ao da casa a sério. Aquilo já tem mesmo o buraco feito ao nosso tamanho…
Daí…
A gerência desta casa decidiu:
Dar uma nova oportunidade ao Sofá que já tem o buraco…
Deixar aqui ao lado ficar um link directo para a casa de campo…sempre que descobrirmos que não podemos entrar nesta basta clicarem e lá estaremos à vossa espera…
Que não iremos aguentar uma nova situação como a que se viveu nestes dias…se tal voltar a acontecer não mudaremos para a casa de campo, vendemos esta e a casa de campo será, definitivamente, a casa. Para lá levaremos o sofá e havemos de conseguir passar sem mão para lavar as costas…
Pedir-vos que sempre que tenham dficuladades em comentar ou em aceder ao Troll nos avisem por Email. É  um favor que muito agradecemos. Sobretudo nos próximos dias em que talvez venhamos aqui menos vezes ( a militãncia assim o obriga…), pode acontecer que não se dê logo pelos problemas, no caso de voltarem…a gente agardece-vos, emprestando o micro-ondas, em caso de necessidade.
Obrigado. A todos. Toca a postar. E a comentar.

Vamos ver no que dá…esta porra dos hábitos tem muito que se lhe diga…

06 Set, 2006

Ainda fica preso

Arquivar em: Isabel Faria, Solturas Mentais — trollurbano @ 9:33 pm

Há expressões que raramente se usam. Não sei muito bem se por medo.Como vou viver com isso? Encarar e ultrapassar? Ou, apenas, por pudor. O que é que os outros vão pensar? Que perguntas vão fazer? Que respostas não vamos poder (ser capazes) de dar.

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Vamos, então, recorrendo aos amigos, aos afectos, à família, ao partido, a um livro, a um disco, à memória. …esperando que eles não notem. Que nos ajudem a nós a não notar. Mas há expressões que se nos colam ao corpo e à alma. Continuamos sem as conseguir dizer. Mas elas teimam em se insinuar…não é fácil descolá-las da pele e da alma.

Por mais longo que seja o post ainda não é hoje que sai…fica colado. Mas preso.

O que vale nestas coisas que se colam à alma e á pele, é que a cola nem sempre tem qualidade. Às vezes, é uma questão de tempo.

Ouvi na rádio…

Arquivar em: Isabel Faria, Politica — trollurbano @ 3:45 pm

…que Carlos Sousa se tinha demitido da Concelhia e da Distrital de Setúbal do PCP. Ainda não tive tempo de confirmar…mas, a ser verdade, tenho que reconhecer que há pessoas muito injustas e muito mal agradecidas. Ainda há dois dias, Jerónimo de Sousa dizia que o tinham saneado de Presidente da Câmara de Setubal, mas que o Partido tinha muitas outras tarefas para ele…coitado do Jerónimo, agora o que é que faz às tarefas que o Partido lhe tinha destinado??? Gente sem coração, é o que é!!!

Falta de vergonha

Arquivar em: Daniel Arruda, Politica — trollurbano @ 11:37 am

Há pessoas que não têm mesmo vergonha nenhuma.

O mesmo que há 1 ano, mais coisa menos coisa aplaudiu o acordo na Autoeuropa, vem hoje atacar o coordenador da CT, pelo mesmo motivo que antes o elogiou.

 Para mim só há duas hipóteses. Ou o sujeito não compreendeu o acordo, ou então há uma má fé imensa. Acho que cada um pode pensar o que quiser.

O meu desejo para Sócrates

Arquivar em: Daniel Arruda, Politica — trollurbano @ 8:55 am

Costuma-se desejar sempre algo quando se dá os parabéns a alguém. Hoje como é o dia de aniversário de José Sócratres não queria deixar de o fazer. Acho que o nosso 1º Ministro assim o merece pelo seu desempenho á frente do país.

Que as pulgas de mil cães te infestem o cú para compensar o quanto nos lixaste o ano todo e que os teus braços encolham de tal forma que não possas coçá-lo.

Um cidadão feliz.

05 Set, 2006

O Paraíso agora

Arquivar em: Cinema, Isabel Faria — trollurbano @ 11:28 pm

paraiso-agora.jpg

É um filme duma imensa tristeza. Mesmo antes da morte anunciada, quando os dois escolhidos, ainda eram jovens iguais a todos os jovens, de todos os mundos, já na oficina de carros velhos e na cidade de Nablus se respirava a tristeza dos lugares sem futuro e com presente sempre adiado.

É um filme de dúvidas. O próprio realizador falaria dessas dúvidas que ultrapassaram o próprio guião. Para os israelitas, um filme em que se humaniza os terroristas. Para os Palestinianos, um filme onde as dúvidas não são bem vindas. Nem bem vistas.

Quando são escolhidos para uma operação suicida numa rua de Telavive, aqueles dois jovens iniciam, sobretudo, uma viagem pelo caminho das não certezas.

Ao drama da morte anunciada, junta-se a quase comédia de que é de morte de homens que se trata. Trapalhadas, máquinas de filmar que não funcionam quando um deles faz o discurso de despedida, atrasos, desencontros, procuras. Coisas de gente, portanto. Coisas de gente, igual a nós.

A presença da filha dum herói da causa pelestiniana, que chega de fora cheia de dúvidas se aquele é o caminho, a postura fria e “profissional” dos controleiros (poderia ser de outra forma? é possível criar laços e mandar morrer?), a cidade destruída, a paixão que parece querer sobrepôr-se à morte, os recuos, enchem o filme e fazem os últimos dias dos dois jovens palestinianos. Quando pela segunda vez partem, Said sente que é ele que tem que cumprir a sua missão. Quando chama o carro que os traria de volta à vida, e nele mete o amigo e fecha a porta ficando sozinho na cidade e na missão, é, para mim, a certeza que o que leva aqueles jovens a morrer não é a fé. É a humilhação. Saíd decide morrer para redimir o passado colaboracionista de seu pai ( a amiga regressada do estrangeiro, ficaria chocada quando na loja de videos lhe dizem que vendem mais os videos dos fuzilamentos dos “colaboracionistas” que os das despedidas dos “mártires”) e por não suportar a memória do campo de refugiados onde viveu…não deixa o seu amigo morrer porque sabe que o futuro pode (quem sabe se deve?) não passar pela redenção do passado. Nem, apenas, pela sua recusa.

A última cena é de uma sobriedade quase chocante. Depois de ter recuado num autocarro onde uma criança israelita brincava com o motorista, Said tem a sua missão naquele autocarro. Se fosse por fé, tanto faria morrer num ou noutro lugar…o que Saíd ali tem é imagem personalizada da humilhação do seu povo. Ela dá-lhe a força para ir até ao fim. Um fim que não se vê. Não se ouve. Apenas se sente, Um fim em forma de dois olhos, diria, sem nenhum olhar. Nem de desespero. Nem de vida. Nem de medo. Nem de convicção. Nem de busca de que paraíso fôr. Agora ou não. Nem de raiva. Nem de dor.Nem de morte. Um fim em forma de olhos sem nenhum olhar (ou com todos eles?). De cuja força apenas somos libertos quando, enfim, começa a passar a ficha técnica.

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